Palestra em UBS orienta famílias sobre educação protetiva e os desafios da infância no ambiente digital

Palestra educação protetiva

A UBS Nelson Gaspar Dip, no bairro Alvorada, recebeu na última segunda-feira (14) a palestra “Seu filho ainda nem nasceu, mas a educação dele já começou”, ministrada pela escritora e palestrante Mônica Cristina Schoene Kaimen, especialista em Educação Protetiva. O encontro foi promovido para famílias acompanhadas pela unidade, gestantes, mães e pessoas interessadas em ampliar conhecimentos sobre proteção e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

Ao longo do encontro, Mônica apresentou experiências acumuladas em sua trajetória profissional e conduziu uma reflexão sobre o papel da família na construção de vínculos que permitam às crianças e aos adolescentes conversar, perguntar e procurar ajuda diante de situações que provoquem desconforto, medo ou dúvida.

Um dos pontos centrais foi a importância de não deixar para a adolescência conversas que podem e devem ser construídas gradualmente desde a infância. A educação protetiva, conforme explicou a palestrante, envolve ensinar sobre o próprio corpo, utilizar os nomes corretos das partes do corpo, falar de limites, respeito e consentimento e criar um ambiente no qual crianças e adolescentes saibam que podem recorrer aos adultos de confiança.

A falta desse diálogo dentro de casa foi abordada como um fator que pode levar crianças e adolescentes a procurar respostas em outras fontes.

Mônica destacou que oferecer informação adequada à idade não significa antecipar experiências, mas fornecer ferramentas para que meninos e meninas compreendam situações, reconheçam limites e consigam comunicar algo que lhes cause incômodo.

Slide mostra mensagem recebida por Mônica de um aluno falando que tem medo de contar "coisas" para a mãe

A própria trajetória da palestrante começou a partir da percepção de que ter informação disponível não significa, necessariamente, que esses assuntos estejam sendo conversados dentro das famílias.

O desafio do mundo digital

A relação de crianças e adolescentes com celulares, redes sociais, vídeos e jogos eletrônicos ocupou parte importante da palestra. Mônica chamou a atenção das famílias para a necessidade de conhecer os ambientes frequentados pelos filhos também no universo virtual, acompanhando jogos, conteúdos, formas de interação e até linguagens utilizadas nas plataformas.

Durante a apresentação, foram mostrados exemplos reunidos pela palestrante em seu trabalho com estudantes para demonstrar como situações inadequadas podem chegar às crianças mesmo em espaços que, à primeira vista, parecem destinados apenas à diversão.

A orientação às famílias foi para que o acompanhamento não se limite a proibir aplicativos ou jogos. Conversar sobre aquilo que a criança encontra na internet, ensiná-la a reconhecer situações desconfortáveis e reforçar que pode contar a um adulto quando alguma coisa acontecer são atitudes consideradas fundamentais para a proteção. Entre os exemplos apresentados, Mônica relatou situações de crianças que tiveram contato inesperado com conteúdo de caráter sexual e destacou como a existência de um adulto de confiança pode influenciar a decisão de contar ou silenciar sobre o que ocorreu.

Exemplo de como adolescentes se apresentam nas redes sociais; cada emoji tem um significado específico (Foto: Zatti Saúde)

Consentimento

Outro assunto abordado foi o consentimento. A palestrante reforçou que crianças podem aprender desde cedo, nas situações cotidianas, que têm limites e que também devem respeitar os limites do outro. Na adolescência, esse aprendizado ganha ainda mais importância diante das relações afetivas, da pressão de parceiros e também do compartilhamento de imagens e conteúdos íntimos.

Para Mônica, a prevenção passa essencialmente pela informação e pela disponibilidade dos adultos para conversar. Ao encerrar a palestra, ela resumiu o conceito trabalhado durante o encontro ao afirmar que a educação protetiva “protege, transforma, liberta e salva a vida”. Também deixou um alerta às famílias: “Se a gente não conversar em casa, é o computador que conversa no celular”.

Conhecimento para as famílias

A gerente da UBS Alvorada, Flávia Teixeira, explica que a atividade havia sido inicialmente pensada para integrar uma roda com gestantes, mas a equipe percebeu que o conteúdo poderia beneficiar um público maior e decidiu ampliar o convite para as famílias da área de abrangência.

“A palestra é para quem já é mãe também, para acrescentar mais conhecimento e ajudar a lidar com situações e temas de interesse das famílias”, afirma.

Segundo Flávia, a mobilização foi feita junto às gestantes acompanhadas pela unidade, pelas agentes comunitárias de saúde, nas redes sociais e também com a distribuição de materiais na própria UBS. A palestra foi viabilizada pela própria equipe da UBS e realizada de forma voluntária pela palestrante.

Para o médico coordenador assistencial da Zatti Saúde, Fábio Barreto Sabatin, levar esse tipo de discussão para dentro da Atenção Primária amplia o olhar sobre o cuidado em saúde. “Além do acompanhamento clínico, a UBS também pode ser espaço de orientação, prevenção, fortalecimento de vínculos e acesso a informações que ajudem as famílias nos desafios cotidianos da criação e proteção de crianças e adolescentes”.

Sobre a Zatti

A Zatti Saúde é uma filial da MSMT (Missão Salesiana de Mato Grosso), que atua em ações e execuções de serviços essenciais de atendimento à população de Araçatuba na Raps (Rede de Atenção Psicossocial) e na APS (Atenção Primária à Saúde), em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde.